Saiba o que disse Michelle após Fux votar para absolver Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a se pronunciar nas redes sociais e desta vez usou um tom de reflexão, falando sobre “coerência e senso de justiça”. A fala dela veio logo depois do voto do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta quarta-feira (10) se posicionou pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em todos os crimes pelos quais ele vinha sendo acusado.

Michelle, que hoje ocupa a presidência do PL Mulher, escreveu uma mensagem destacando que, quando a coerência e o senso de justiça se sobrepõem à vingança e à mentira, não há espaço para perseguições cruéis nem para julgamentos considerados parciais. O tom foi claramente de apoio, não apenas ao marido, mas também ao ministro que fez um voto longo, firme e, para alguns, até surpreendente.

Além da publicação escrita, Michelle compartilhou vídeos com trechos do voto de Fux. Num deles, o ministro cita a necessidade de anular o julgamento por causa de “cerceamento de defesa”. Ele lembrou que o processo do mensalão, um dos mais famosos da história política brasileira, levou 2 anos e 5 meses para ser concluído. Já o caso do chamado “suposto golpe” teria sido julgado em apenas 161 dias, algo que ele considerou desproporcional diante da quantidade de documentos e informações envolvidos.

O voto de Fux foi longo, passando de 12 horas. Nesse período, ele deixou claro alguns pontos: primeiro, que na visão dele o STF tem “incompetência absoluta” para julgar esse caso. Segundo, que houve de fato um tsunami de informações em prazo muito curto, o que prejudicaria qualquer defesa. Terceiro, que o Supremo deveria se afastar das paixões políticas que, inevitavelmente, acabam contaminando discussões dessa natureza.

Ele também disse não enxergar provas concretas de que os réus tenham formado uma organização criminosa. Apesar disso, não poupou todos os envolvidos. Fux votou pela condenação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, por participação em planos de caráter violento. E também condenou o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil, apontado como financiador de atos contra o ministro Alexandre de Moraes.

Já os outros investigados do chamado “núcleo 1” saíram absolvidos. Segundo Fux, não havia provas suficientes para manter as acusações. Entre eles estão o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, que recentemente foi notícia por sua pré-candidatura à prefeitura do Rio; o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, que foi ministro da Justiça; Augusto Heleno, que chefiou o Gabinete de Segurança Institucional; e Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa. Todos, pelo menos nesse voto, foram considerados sem participação efetiva nos atos investigados.

O caso segue tendo enorme repercussão, tanto no meio político quanto na sociedade. Não dá pra negar que, em ano pré-eleitoral, cada movimentação do STF acaba virando combustível para os debates, seja nas tribunas, seja nas mesas de bar ou até nos grupos de WhatsApp da família. É aquele assunto que divide opiniões e, de certa forma, dá o tom do clima político que o Brasil respira neste momento.

Michelle, por sua vez, não apenas reforça a narrativa de que Bolsonaro é vítima de perseguição, mas também tenta mostrar um lado mais humano, de esposa que acompanha de perto a batalha judicial do marido. Para os apoiadores, sua fala soa como alívio; para os críticos, é apenas mais uma peça num tabuleiro de disputas que parece não ter fim.

No fim das contas, o voto de Fux abre uma nova frente de discussões no STF, mas também na política nacional. Afinal, decisões assim têm impacto direto não só na vida dos investigados, mas também no futuro eleitoral de figuras que ainda têm peso entre os eleitores.



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