Saiba o que é retransplante e sepse, termos médicos do quadro de saúde de Faustão

Desde que veio à tona a notícia de que Fausto Silva, o nosso conhecido Faustão, 75 anos, está internado desde 21 de maio no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, muita gente ficou com o coração apertado. O apresentador, que por décadas animou as tardes de domingo de milhões de brasileiros, agora trava uma batalha séria pela própria vida.

Tudo começou com uma infecção bacteriana aguda, que acabou evoluindo para um quadro de sepse. Pra quem não tá familiarizado, a sepse é uma resposta inflamatória generalizada do corpo a uma infecção — e o problema é que ela pode ser tão agressiva que leva a falência de múltiplos órgãos. É como se o organismo, tentando se defender, acabasse virando contra ele mesmo.

E a situação não parou por aí. Nesta última semana, Faustão passou por dois procedimentos pesados: um transplante de fígado e, logo depois, um retransplante renal. Dois processos delicados que exigem muito do paciente, da equipe médica e até do psicológico de quem está por perto.

Sepse — o que é e por que é tão perigosa?
De acordo com o professor e farmacologista José Carlos Alves Filho, do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (Crid) da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, a sepse é quando o corpo entra num modo “alerta vermelho” descontrolado. Em vez de combater a infecção de forma localizada, ele dispara uma inflamação pelo organismo todo.

Quando isso acontece, tecidos e órgãos podem começar a sofrer danos sérios. Se o tratamento não for rápido — e aqui estamos falando de horas, não dias — as chances de morte aumentam consideravelmente. É por isso que os médicos vivem dizendo que “tempo é vida” nesses casos.

Normalmente, as bactérias são as vilãs dessa história. Mas, segundo os especialistas, vírus, protozoários e até fungos também podem provocar o quadro. E, inclusive, houve aumento de casos de sepse causada por fungos, principalmente em pessoas com o sistema imunológico mais enfraquecido — algo que, no cenário pós-pandemia, tem chamado bastante atenção.

E o tal do retransplante que Faustão precisou fazer?
Muita gente não sabe, mas quando um órgão transplantado para de funcionar adequadamente — seja por rejeição crônica, complicações na vascularização ou retorno da doença original —, às vezes é preciso partir para o chamado retransplante.

O professor Luiz Carneiro, cirurgião do aparelho digestivo, explica que esse é um dos procedimentos mais complexos na medicina. Além do desgaste físico do paciente, que já passou por uma cirurgia grande anteriormente, há também o risco elevado devido à fragilidade geral do organismo. No caso de Faustão, a equipe precisou agir rápido pra tentar garantir que o novo órgão fosse aceito e funcionasse bem.

Um momento de solidariedade nacional
A notícia mobilizou não só fãs e colegas de TV, mas também muita gente que talvez nem acompanhasse tanto o trabalho dele. Personalidades usaram as redes sociais para mandar mensagens de apoio, e não foram poucos os que lembraram histórias curiosas ou engraçadas que viveram nos bastidores do antigo “Domingão”.

Em tempos de tantas notícias pesadas e divisões políticas, ver o Brasil inteiro torcendo pela recuperação de uma pessoa é algo que aquece o coração. É claro, ainda há um caminho longo pela frente. Recuperações pós-transplante exigem paciência, acompanhamento médico constante e, muitas vezes, ajustes no tratamento.

Enquanto isso, a família e a equipe médica seguem pedindo privacidade e energias positivas. Afinal, como o próprio Faustão diria, “ô loco, meu” — a vida é cheia de surpresas, e essa é só mais uma que ele está enfrentando com a coragem que sempre mostrou no palco.



Recomendamos