Nos últimos meses, com a reprise de A Viagem nas tardes da Globo, um dos personagens que voltou a despertar curiosidade do público foi o Mascarado. A figura misteriosa que aparece em cena sem dizer uma palavra, apenas se comunicando por meio da expressão corporal, acabou marcando toda uma geração de telespectadores. O apelido vem do personagem Adonay, interpretado pelo ator Breno Moroni, hoje com 71 anos. Para quem não lembra, Adonay foi namorado de Carmen (vivida por Suzy Rêgo), mas após sofrer um grave acidente, ficou com o rosto deformado e passou a esconder-se por trás da máscara.
Apesar da aura enigmática, a introdução do personagem na novela é feita de maneira lenta, quase silenciosa, como se fosse um fantasma do passado. Breno, que sempre teve formação em artes circenses e teatro, apostou na mímica como principal ferramenta para dar vida ao papel. O desfecho, no entanto, é bastante melancólico: Carmen, mesmo diante das tentativas dele de reaproximação, não consegue perdoá-lo pela sensação de abandono e traição.
Para além da trama, vale lembrar da trajetória do ator. Nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, Breno se formou em teatro e chegou a estudar na Inglaterra, onde mergulhou no universo circense. Ao longo da carreira, trabalhou em nada menos que 13 países, sempre alternando entre palco e televisão. Sua estreia na telinha aconteceu em 1984, na minissérie Marquesa dos Santos, exibida pela extinta Rede Manchete. Mais tarde, ele participou de grandes sucessos da Globo, como O Clone (2001) e Kubanacan (2003), além de outros projetos.
E por onde anda Breno Moroni?
Muita gente se pergunta isso, ainda mais agora com o revival de A Viagem. Seu último trabalho em novelas da Globo foi em 2004, na produção Um Só Coração. Depois disso, fez uma participação especial em um episódio de Mandrake, da HBO Brasil. Em 2010, atravessou o oceano e integrou o elenco de República, programa da televisão portuguesa. No cinema, seu último papel foi no filme Chatô, o Rei do Brasil (2015), onde viveu um chefe de polícia.
Hoje, Breno continua ativo artisticamente, mas longe do eixo Rio-São Paulo. Ele vive em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, dedicando-se principalmente ao teatro. Nas redes sociais, aparece de vez em quando divulgando entrevistas, novos trabalhos ou registros de peças. Em entrevista ao G1, revelou que a opção de não ter falas em A Viagem foi uma decisão dele mesmo, já que a máscara atrapalhava a dicção. Para ele, esse detalhe acabou dando ainda mais peso à construção do personagem.
Sobre a novela, Breno costuma dizer que ela foi “uma obra bonita e transformadora”, justamente por tocar em temas espirituais e sensíveis sem cair no clichê. E, de fato, até hoje muita gente considera a trama como uma das mais marcantes dos anos 90.
Já em conversa com o jornal O Globo, o ator falou sobre o desejo de voltar a atuar em novelas: “Eu vou suprindo essa necessidade fazendo as minhas coisas. Aqui tenho qualidade de vida, mesmo sem a fama e a grana que teria no Rio. Nunca deixei de trabalhar. Faço bastante cinema e teatro. Em cada lugar me adapto ao mercado. Já conheci mais de 30 países, sempre estudando ou atuando. Agora estou em Campo Grande, mas amanhã posso estar em outro canto, se aparecer uma boa oportunidade”.
Ou seja, embora longe dos holofotes, Breno Moroni segue firme na carreira, movido pela paixão pela arte. E, quem sabe, com o sucesso da reprise de A Viagem, o público não o veja novamente em novas produções na TV brasileira.