“Será que o crime acabou?”, diz Oruam após megaoperação no RJ

A Voz da Favela: Oruam e a Megaoperação no Rio de Janeiro

Na quarta-feira, dia 29, o rapper Oruam usou suas redes sociais para compartilhar um vídeo impactante, onde canta um trecho de uma nova música que ele compôs em resposta a uma megaoperação policial realizada no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, ambos localizados na zona Norte do Rio de Janeiro. Essa operação, segundo as forças de segurança, resultou em mais de 120 mortes, um fato que deixou a sociedade em choque.

A Mensagem de Oruam

O vídeo começa com um instrumental de RAP, e Oruam, de forma bastante autêntica, traz os primeiros versos de sua composição em um tom mais falado do que cantado. Ele inicia com uma reflexão poderosa: “Aí, nós tava em um dia tudo normal e do nada a operação começou”, questionando a realidade que muitos vivem nas favelas. Em seguida, ele provoca uma pergunta que ecoa na mente de muitos: “Mas a pergunta que não quer calar, fala aí. Será que o crime acabou?”

Esses versos iniciais já revelam a essência da letra, que continua com uma crítica social contundente. Oruam menciona tragédias familiares, dizendo: “Entraram lá na favela e fizeram 100 mães enterrarem seus filhos”, evidenciando o impacto devastador da violência na comunidade. Ele não hesita em apontar para os verdadeiros problemas que afligem a sociedade, afirmando: “E depois, descobriram que o crime de verdade tava lá em Brasília”, sugerindo que a raiz do problema vai muito além das favelas.

Reflexões sobre a Realidade

O rapper expressa um sentimento de revolta e dor ao ver seu povo sofrer. Ele afirma: “Nunca que eu vou ver meu povo sangrando e vou ser um covarde”. Essa declaração ressoa com muitos que se sentem impotentes diante das injustiças sociais. Oruam também traz um apelo por educação, ressaltando que “antes de pensar em matar, pensa em dar educação”. Essa frase é um poderoso lembrete de que a falta de oportunidades e a marginalização social são fatores cruciais que levam à criminalidade.

Repercussão e Apoio

O vídeo de Oruam rapidamente viralizou, alcançando mais de 700 mil curtidas e quase 30 mil comentários. Essa grande interação demonstra não apenas o apoio à sua mensagem, mas também a necessidade de discutir temas como violência e desigualdade. Além disso, o rapper recebeu uma mensagem de apoio do jogador Memphis Depay, do Corinthians, que disse: “Stay strong in these stressful times. The kids and new generation you can save them”, uma frase que enfatiza a importância de proteger as futuras gerações.

Quem é Oruam?

Para quem não conhece, Oruam é o nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, um jovem rapper de apenas 24 anos. Ele é filho de Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho, e sobrinho de Elias Maluco, uma figura notória na criminalidade brasileira. Apesar de sua herança familiar, Oruam busca usar sua música como uma plataforma para abordar questões sociais e dar voz à comunidade. Ele ganhou destaque em 2022 com a música “Invejoso” e desde então tem se apresentado em grandes festivais como Rock in Rio e Lollapalooza.

O rapper, que cresceu na Cidade de Deus, é conhecido por seu estilo de vida luxuoso, exibindo joias e carros caros em suas redes sociais. No entanto, suas letras e postagens frequentemente lembram seus seguidores da dura realidade enfrentada por muitos nas favelas do Rio de Janeiro. Ele tem se posicionado contra a violência e a opressão, sempre enfatizando que “favela não é parque de diversão da burguesia”.

Considerações Finais

A música de Oruam vai muito além de entretenimento; ela é um grito de alerta e uma chamada à ação. Com suas letras, ele traz à tona questões que precisam ser discutidas, e sua coragem de falar sobre a realidade das favelas é um passo importante para a mudança. O que fica claro é que, enquanto houver vozes como a de Oruam, a luta por justiça e igualdade continuará viva.



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