Veja como clube de atacante do Brasil cria “superatletas” na Premier League

Como o Brentford FC Está Transformando Jogadores em Superatletas na Premier League

Enquanto o atacante Igor Thiago brilha com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, uma pesquisa recente revela o que está por trás da performance quase sobre-humana dele e de seus colegas do Brentford FC, clube que compete na Premier League inglesa. Um estudo publicado em junho de 2026 no International Journal of Sports Science & Coaching revela que o segredo para criar superatletas vai além do talento natural.

A Evolução do Futebol de Elite na Inglaterra

Nos últimos anos, o futebol inglês passou por uma transformação significativa. Entre as temporadas de 2015/2016 e 2024/2025, as distâncias percorridas em sprints e corridas de alta velocidade aumentaram consideravelmente. Isso significa que os atletas precisam de corpos que suportem essas demandas físicas intensas. No Brentford, a abordagem não é genérica; cada jogador é treinado de acordo com as suas necessidades específicas.

O Processo de Treinamento Personalizado

A primeira etapa para otimizar o desempenho dos atletas é chamada de Análise de Necessidades, que mapeia as exigências de cada posição em campo. Por exemplo, jogadores que atuam pelas laterais precisam de uma capacidade elevada para sprints repetidos, enquanto os meias centrais precisam focar em resistência aeróbica e agilidade nas mudanças de direção. O clube até analisa a biomecânica da corrida para prevenir lesões.

Um membro da equipe de performance física do Brentford explica: “Não queremos apenas medir a velocidade de um jogador, mas decompor isso em fatores como comprimento da passada, tempo de contato com o chão e a posição do quadril.” Essa abordagem minuciosa ajuda a entender como cada componente influencia o desempenho geral.

Inovação com o Sistema de Semáforo

Um dos aspectos mais inovadores do estudo é o Traffic Light System, ou Sistema de Semáforo. Este sistema cruza dados coletados diariamente dos jogadores e determina quem deve treinar com maior intensidade e quem precisa moderar o ritmo. Se um atleta estiver sob risco de lesão, o sistema emite uma bandeira vermelha, sinalizando a necessidade de ajustes imediatos no treinamento.

Além disso, o Brentford realiza diversos testes e acompanhamento rigoroso. Quatro dias antes das partidas, o foco está em testes isométricos de tornozelo, joelho e quadril, permitindo medir a força máxima sem provocar fadiga. Já dois dias antes, a equipe realiza testes de saltos verticais para avaliar a prontidão do sistema nervoso; esses testes servem como indicadores de fadiga e preparação.

O Desafio das Lesões na Era Moderna do Futebol

A importância desse monitoramento é evidente em um dado alarmante: as lesões nos isquiotibiais, que são as partes posteriores da coxa, dobraram nas últimas duas décadas e hoje representam 24% das lesões na elite do futebol. Um dos especialistas do Brentford aponta que: “Com jogadores sprintando com mais frequência e em maiores intensidades, os problemas relacionados aos isquiotibiais se tornaram mais comuns.”

Outro fator que complica a situação é o calendário apertado da Premier League, onde os clubes jogam duas vezes por semana. Isso reduz o tempo disponível para recuperação e treinos de força. Uma solução encontrada pelo Brentford é a técnica de microdosagem, que distribui pequenos estímulos intensos ao longo da semana, ajudando os atletas a manterem suas adaptações físicas sem se esgotarem.

A Dimensão Humana dos Superatletas

Apesar de toda a tecnologia envolvida, o estudo conclui que a adesão dos jogadores ao processo é fundamental. Um dos preparadores físicos destaca a importância do buy-in, que é o comprometimento dos atletas. “Tratar os jogadores como adultos é essencial para o sucesso”, afirma ele. A compreensão do porquê de cada exercício é o que realmente transforma um atleta comum em um superatleta.

Resultados Surpreendentes e Futuro Promissor

O Brentford FC, que abriu suas portas para a pesquisa na temporada 23/24, viu resultados impressionantes. Enquanto a equipe terminou em 16º lugar na liga naquele ano, na temporada seguinte, consolidou-se na elite do futebol inglês, alcançando a 10.ª posição. O destaque foi Igor Thiago, que se tornou vice-artilheiro da competição, marcando 22 gols e impressionando pela força física, um dos fatores que o levaram a ser convocado por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo.

Além disso, o Brentford se destacou como a equipe que mais marcou em contra-ataques na Inglaterra, e a segunda entre as principais ligas da Europa. O estudo dos pesquisadores Daeeun Kweon e outros enfatiza a relevância das ações de alta intensidade, que ocorrem em momentos decisivos do jogo, como gols e assistências, influenciando diretamente os resultados das partidas.



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