Jair Bolsonaro anda visivelmente incomodado com o jeito do filho Eduardo se expressar em público. Pessoas próximas ao ex-presidente revelaram que ele considera que o deputado “fala demais” e que, no fim das contas, cada declaração acaba virando um peso extra na sua própria imagem, que já anda bem desgastada depois de tantos processos, investigações e até a prisão domiciliar que ainda cumpre.
Esse incômodo não surgiu do nada. Segundo relatos que circularam em Brasília e também nos bastidores do PL, Bolsonaro acredita que a exposição do filho passa do limite. As falas de Eduardo, que muitas vezes chegam em tom de provocação ou ataque direto a ministros do STF, parlamentares de oposição e até figuras que seriam aliadas, como Valdemar Costa Neto, vêm deixando o clima dentro do grupo ainda mais pesado. É como se Eduardo tivesse escolhido seguir um estilo “sem filtro” nas redes sociais e nas entrevistas, mas o problema é que isso não combina com a atual situação do pai.
Um recado enviado de longe
Como não pode se comunicar diretamente com Eduardo — já que a Justiça impôs uma série de restrições — Bolsonaro recorreu a um aliado de confiança para mandar o recado pessoalmente aos Estados Unidos, onde o deputado costuma passar temporadas. A ideia não foi proibir Eduardo de falar, até porque isso seria impossível, mas pedir para que ele modulasse um pouco o discurso, diminuísse o tom de ataques e pensasse mais nas consequências. Em resumo: menos estardalhaço e mais estratégia.
Essa atitude mostra que o ex-presidente, mesmo limitado pelas condições da prisão domiciliar, ainda tenta manter um certo controle sobre o núcleo político da família. Só que, como em toda casa, nem sempre o pai manda no filho adulto.
Flávio já tinha dado o toque
Antes mesmo desse recado atravessar fronteiras, o senador Flávio Bolsonaro já havia tentado convencer Eduardo a baixar a bola. Flávio, que tem um estilo mais discreto e trabalha de forma bem mais silenciosa no Senado, disse ao irmão que o excesso de exposição só iria atrapalhar os planos futuros da família. Foi uma espécie de “conselho de irmão mais velho”, mas com peso político, já que Flávio é quem mais conversa com os caciques do PL em Brasília.
Segundo parlamentares da própria legenda, esse movimento de Flávio também teria sido incentivado pelo pai. Bolsonaro tem se mostrado especialmente incomodado porque cada fala atravessada de Eduardo gera barulho não só na imprensa, mas também dentro do partido, criando ruídos com aliados importantes que poderiam ser necessários em 2026.
Autonomia ou rebeldia?
Apesar dos recados, Eduardo parece disposto a manter sua linha de independência. Ele já chegou a falar em disputar a Presidência da República, mesmo que isso significasse concorrer contra um candidato apoiado pelo próprio pai. Nesse cenário, por exemplo, não seria surpresa se Bolsonaro resolvesse jogar suas fichas em Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo e nome forte da direita para os próximos anos.
Essa posição de Eduardo não é exatamente uma rebeldia adolescente, mas mostra que ele enxerga seu futuro político de maneira autônoma. É como se dissesse: “tenho meu eleitorado, minhas ideias, não vou esperar o aval de ninguém, nem mesmo do meu pai”.
Um problema de família que virou política
No fundo, o que está em jogo é a imagem de Bolsonaro. Com a popularidade abalada e enfrentando restrições jurídicas severas, ele tenta evitar novos desgastes que possam reduzir sua influência no cenário político. O Brasil de 2025 é outro: o governo Lula avança em alguns pontos econômicos, como a discussão sobre a reforma tributária, e a oposição ainda busca um nome realmente competitivo para 2026. Nesse contexto, as falas de Eduardo acabam sendo vistas como tiros no pé, capazes de atrapalhar a construção de uma estratégia unificada.
Bolsonaro sabe que já não tem a mesma força de alguns anos atrás, quando arrastava multidões com uma live no Facebook. Hoje, cada passo precisa ser calculado. E é justamente isso que ele cobra do filho: menos impulso e mais cálculo político.
O episódio deixa claro que, mesmo dentro da família Bolsonaro, existe tensão, divergência de estilos e disputas por espaço. O recado enviado por Jair é um sinal de que ele ainda tenta segurar as rédeas, mas também um reconhecimento de que seu controle já não é absoluto.